O meu currículo não é a minha história

O meu currículo não é a minha história

16 de janeiro de 20262 min de leitura

Nas redes sociais, em Portugal, quantas pessoas há licenciadas em Comunicação Social? Muitas.

Nas redes sociais, em Portugal, quantas pessoas trabalharam em jornais, revistas e televisão? Muitas.

Nas redes sociais, em Portugal, quantas pessoas já escreveram livros? Muitas.

Nas redes sociais, em Portugal, quantas pessoas já deram formação de Escrita Criativa e Storytelling? Muitas.

Nas redes sociais, em Portugal, quantas pessoas têm uma história igual à minha? Nenhuma. Não há histórias iguais. Pode haver percursos profissionais semelhantes, mas histórias, não, não há histórias iguais.

E é por não haver histórias iguais que todos somos seres únicos e especiais, e é por não haver histórias iguais que a nossa história deve ser partilhada, e é por não haver histórias iguais que a nossa história não só não é o nosso CV, como devia estar incluída no nosso CV.

Por exemplo, eu escrevo porquê?

Porque, filha única de um casal introvertido e silencioso, em criança não senti que a minha voz tivesse espaço ou alguém a quisesse ouvir. E fui-me fechando. E calando. E combatendo isso como? Escrevendo. Até que percebi que a minha escrita tinha impacto nos outros. E depois percebi que gostava de ouvir os outros e passar essas histórias para o papel. Percebi, aliás, que tanto ou mais do que escrever, gostava de ouvir e absorver as palavras dos outros. E fui escrevendo. E fui, pouco a pouco, mostrando a minha voz através da escrita. E perdendo um bocadinho a timidez desta miúda que está na fotografia. E fui ouvindo e escrevendo e percebendo que o meu superpoder é ouvir, escrever e ajudar os outros a pôr as suas histórias no papel.

Este é um pequeno capítulo da minha história, mas que explica uma grande parte do meu CV e das minhas escolhas profissionais.

Por isso, sempre que oiço ou leio “Ah, Storytelling é só contar umas historinhas e inventar umas coisas”, fico arrepiada. Storytelling é uma técnica/ arte que também serve para mostrarmos quem somos, para mostrarmos que não somos um CV e que todos temos uma história diferente.

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Escrito por

Mónica Menezes

Escritora, formadora e mentora de escrita criativa. Escreve com o coração e vive numa nuvem amarela.

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