Montar móveis e escrever é quase a mesma coisa
Quando mudei de casa, passei algumas semanas a montar móveis.
De zero a dez, a dificuldade de montar as estantes e o sofá posso classificar como 1, ou 2, vá. A cómoda com dificuldade 4. Pior foi a cama - dificuldade 8 - e o inferno dos infernos, o roupeiro (de 0 a 10, dificuldade 12!).
E o que isto tem que ver com escrita? Tudo!
O roupeiro foi o mais difícil porque não li o livro das instruções antes de me atirar àquela árdua tarefa. Abri as três caixas, olhei para aquele amontoado de madeira, respirei fundo e lá fui eu de aparafusadora em riste, sem pensar muito bem no que estava a fazer.
Quando vou escrever um texto, claro que sei onde quero chegar, mas é necessário seguir um passo a passo:
Definir ideias-chave
Pesquisar informação
Organizar e analisar essa mesma informação
Deixar de lado o que é excessivo (não deitar fora porque pode servir para outro texto)
Escrever
Editar e reler
Com a prática, estes passos já estão enraizados em mim, o que não significa que não precise de me relembrar de vez em quando ou que não faça asneiras muitas vezes. Mas ao contrário de montar móveis, posso esquecer-me de vez em quando, mas sei quais são os passos a seguir. O roupeiro foi difícil de montar porque olhei para os desenhos e achei-me a campeã dos parafusos e a mestre da IKEA. É que bastou ignorar um passo para a desgraça acontecer. Tive de refazer um lado pelo menos três vezes: não tomei atenção qual era a peça, qual era a posição certa e em que momento é que ela deveria ser posta.
Muitaaaaaaaas horas, suor e nódoas negras depois, o roupeiro ficou pronto. E a lição foi aprendida: montar móveis e escrever é quase a mesma coisa. Há passos a seguir e nenhum pode ser esquecido. Tudo para uma melhor e mais eficiente execução de um trabalho.
Escrito por
Mónica Menezes
Escritora, formadora e mentora de escrita criativa. Escreve com o coração e vive numa nuvem amarela.
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