Uma história de sapatos e de palavras

Há uns anos, uma amiga comentou comigo que achava que estava na hora de eu usar sapatos de salto alto. “Mónica, tens mais de 30 anos, já tens idade para te vestires como uma senhora.” Não perdi muito tempo a pensar no assunto, até que um dia me cruzei com umas sandálias lindas, com um salto ENORME. Comprei-as. No dia seguinte fui entrevistar uma médica para um livro que estava a escrever na altura e achei que era o momento certo para levar as sandálias com o salto ENORME. Ora, eu não me sentia confortável com as sandálias e, pior que tudo, eu não me sentia eu! O que aconteceu? Dei o maior trambolhão da minha vida à frente da entrevistada e passei o tempo todo a pensar como ia voltar para o carro (joguei pelo seguro e fui descalça!).

Com a escrita também não devemos usar saltos altos se não nos sentimos confortáveis com os mesmos. Para quê usar uma palavra que nunca usamos só para parecermos o que não somos? Não interessa se os ténis estão ou não na moda ou se são adequados para a minha idade, tal como não interessa se as palavras caras enriquecem ou não os textos. O mais importante é a nossa personalidade estar viva em cada sapato ou palavra escolhida.

Ser genuíno é a tendência de todas as estações. Tudo para ninguém acabar descalço…

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