Se a tua vida fosse transformada numa história, qual seria o título?

O título seria uma das últimas frases escritas no diário de Frida Kahlo – “Pés para que vos quero, se tenho asas para voar”

Quando eras pequenina, o que querias ser?

Queria ser professora, tal como a minha professora da primária – Cidália Matos.

Qual foi o teu primeiro trabalho? O que aprendeste com isso?

O meu primeiro trabalho foi na Pizzaria dos meus pais, no Seixal. Aprendi a lidar com as pessoas, a perceber o valor do trabalho, a cumprir regras e horários para garantir o meu dinheiro e o bem-estar dos outros. Aprendi sobre o que é a colaboração e ajudar o próximo.

Quando é que percebeste que o design gráfico e a ilustração eram a tua paixão? 

Percebi aos 14/15 anos, estava indecisa sobre o que seguir no ensino secundário, por um lado as humanidades chamavam por mim, por outro lado a possibilidade de saber mais sobre arte e explorar esse mundo era algo mágico.

Namorava com um rapaz nove anos mais velho que eu, que já trabalhava no mundo dos media e um dia ele estava a trabalhar e eu olhava para o que ele fazia, havia um computador ali parado e tinha o Photoshop ( versão bem antiga, corria o ano de 1999) e abri e sozinha explorei ferramentas, desenhei, apliquei filtros e nasceu dali um cogumelo muito divertido e ele ficou espantado com o que eu tinha feito e elogiou-me imenso. A partir desse momento não tive dúvidas no caminho que havia de traçar.

Conta-me uma história que tenhas vivido em trabalho e que te tenha deixado ao estilo do Leonardo DiCaprio, no “Titanic”, a dizer que é o rei do mundo. 

Não creio ter uma história em modo Titanic, tenho várias histórias assim. Sempre que um cliente ou amigo me diz palavras de encorajamento, de excelente trabalho, um adoro, um está lindo, um muito obrigada: – Era mesmo isto! Isso é o meu topo!

E uma história que preferias não ter vivido. 

As perdas são sempre duras, sejam elas quais forem, mas perder alguém muito querido e especial para nós é aquele tipo de história e não queremos viver nem contar. A história que preferia não ter vivido foi a morte do meu pai. Com ele aprendi a voar e a ganhar as minhas próprias asas e muito lhe agradeço.

Quem é que te inspira? 

Inspira-me muito a Frida Kahlo, inspira-me como mulher, como força e determinação, como artista e lutadora. Inspira-me como a sua alma perpetua ao longo dos tempos e está tão atual, as suas pinturas e autorretratos tão reais, que sim contam uma história, por vezes mais sofrida e por vezes não.

Quando não estás a trabalhar, o que te relaxa?

Relaxa-me estar sentada a ver televisão, ir fazer caminhadas, fazer bolos. Relaxa-me gargalhar com amigos, relaxa-me ver fotografias antigas e relaxa-me desenhar.

Como é um dia teu de trabalho?

Um dia meu de trabalho é sempre uma aventura, nunca podemos nesta profissão dar um trabalho como garantido, há sempre um apontamento a alterar, uma cor para mudar. Há sempre um fator surpresa, por isso digo que é uma aventura porque não sabes com o que contar e isso é superexcitante.

No dia em que morreres, que história vai estar escrita na tua lápide?

Ao morrer na minha lápide estará perpetuada a história: Aqui jaz Nádia Neves, aquela que provocava sorrisos.

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** “Pessoas com Histórias” é uma rubrica semana com publicação à sexta-feira. **