Se a tua vida fosse transformada numa história, qual seria o título?

António, o eterno ingénuo.

Quando eras pequenino, o que querias ser?

Escritor. Olhava com frequência para os muitos livros em casa dos meus pais e sonhava em ver um dia o meu nome na capa de um exemplar.

Qual foi o teu primeiro trabalho? O que aprendeste com isso?

Carregar móveis. O meu pai tinha um contrato com o Ministério da Justiça para mobilar os tribunais de norte a sul do país. Sempre que podia, ia com os empregados dele para os quatro cantos de Portugal. O trabalho era muito duro, mas divertia-me imenso, para além de que ganhava 5 contos por dia. Aprendi a dar valor ao dinheiro e a dar-me com pessoas de todas as classes sociais, desde motoristas de camiões dos diversos fornecedores, empregadas de limpeza, oficiais de justiça, bem como advogados e juízes. Esses tempos, não tenho dúvidas, moldaram a minha personalidade.

Quando é que percebeste que a fotografia era a tua paixão? 

Aos 21 anos, quando vi uma exposição no Instituto Português de Fotografia (IPF). Na altura havia um jornal já extinto, A Capital, que semanalmente tinha um suplemento de fotografia, o “Olhares”. Duas páginas eram dedicadas às exposições por todo o país. Com base naquele roteiro, corria Lisboa a ver fotografia. Nessa em particular, do IPF, reparei que faziam cursos básicos de 3 meses e um avançado de dois anos. Frequentei ambos e descobri que era a minha vocação profissional, um vício e paixão que dura até hoje.

Conta-me uma história que tenhas vivido em trabalho e que te tenha deixado ao estilo do Leonardo DiCaprio, no “Titanic”, a dizer que é o rei do mundo. 

Como dou formações diversas, quer de fotojornalismo, iluminação de retrato, fotografia de rua e de viagens, storytelling ou de edição fotográfica, é frequente ter alguns formandos iguais nos diferentes cursos. Ouvir, como recentemente aconteceu, que só se inscreveram nas formações por se terem tornado “Antóniodependentes”, deixa-me profundamente orgulhoso.

E uma história que preferias não ter vivido. 

Uma reportagem na ala pediátrica do Instituto Português de Oncologia. Como pai, foi muito duro e traumatizante assistir à luta daquelas crianças e dos pais contra uma doença cruel.

Quem é que te inspira?

Esta é fácil. A minha mulher e os meus filhos. Sempre, sempre, para todo o sempre, os amores da minha vida. O nosso lema é precisamente “inspirar para ser inspirado”. Sem o apoio deles, a minha carreira seria totalmente diferente. Para pior, claro.

Quando não estás a trabalhar, o que te relaxa?

Ler, sempre. Para além de viciado na leitura de livros, sou apaixonado por jornais de todo o mundo. Como muitas vezes não consigo acompanhar a leitura de tudo o que compro, o espólio vai aumentando consideravelmente em casa, contra as reclamações da minha mulher. Por vezes digo, na brincadeira, que precisava de estar alguns meses preso, preventivamente, para conseguir ter todas as leituras em dia. Um emprego numa portagem no interior também seria uma boa opção.

Como é um dia teu de trabalho?

Todos os meus dias são diferentes, fruto das várias colaborações que tenho. É desafiante nunca saber como vai ser a minha agenda no dia seguinte. Tanto pode começar às 7h da manhã, como às 7h da tarde. Num dia normal posso fotografar para a agência Lusa um qualquer evento com o Presidente da República ou com o Primeiro-Ministro; um restaurante para a Ocus; uma conferência sobre medicina dentária ou oftalmologia para a CódigoPro; uma competição desportiva ou um roteiro turístico para a agência Global Imagens; ou um evento institucional para uma multinacional, a título pessoal. Isto para além das várias formações que dou em fotografia.

No dia em que morreres, que história vai estar escrita na tua lápide?

Aqui jaz um contador de histórias.

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** “Pessoas com Histórias” é uma rubrica semanal com publicação à sexta-feira. **