Eu gosto de cozinhar. Gosto de pensar nos ingredientes, nas especiarias, nas ervas aromáticas e no resultado final. Mas na cozinha, como na escrita, gosto de pratos simples.

Não gosto de misturar peixe com carne, como bacalhau com bacon, fruta com carne, como pêssego com frango, e outras promiscuidades como estas.

Lembro-me de num concurso de culinária, o “Masterchef Australia”, o conceituado chef inglês, Marco Pierre White, dizer a um dos concorrentes: “keep it simple”. Ou seja, não é o facto de um prato ter muitos ingredientes que o torna apetecível, mas sim o facto de ter bons ingredientes, usados na medida certa e com as junções perfeitas.

Um texto também deve ser assim. Não é o excesso de palavras complexas que o torna mais apetitoso, não é o uso de quilos de adjetivos para temperar o substantivo que o torna mais saboroso e não é juntar todas as ideias numa só frase que torna o texto gourmet.

É verdade que o dicionário está cheio de palavras novas, ansiosas para serem usadas, tal como as despensas estão cheias de frascos de especiarias que nem abertos foram, mas não só não é preciso usá-las todas de uma vez, como até é possível nunca fazer uso delas. Na cozinha, como na escrita, a máxima “keep it simple” deve ser usada e escrita na parede para nunca ser esquecida!

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